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• Egressa do curso de enfermagem da UNESPAR Campus de Paranavaí contribui para marco importante na educação inclusiva

GERAL, ENSINO

A história de Natália da Silva Araújo Silvério, acadêmica de Enfermagem da Unespar – Campus Paranavaí, representa um marco importante para a educação inclusiva. Estudante com baixa visão, Natália constrói sua formação em uma área que exige alto rigor técnico, mostrando que a inclusão no ensino superior é possível quando há compromisso institucional, planejamento pedagógico e acessibilidade.

Com o apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e do colegiado do curso de Enfermagem, a universidade estruturou estratégias pedagógicas e adaptações curriculares que garantem não apenas o acesso, mas principalmente a permanência com qualidade no ensino superior. Esse trabalho é fortalecido pela Resolução nº 021/2022 – CEPE/UNESPAR, que regulamenta o Plano Educacional Individualizado (PEI) e organiza o acompanhamento acadêmico de estudantes público da educação especial.

A trajetória de Natália também materializa, na prática, os princípios da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), reafirmando que a educação inclusiva deve garantir igualdade de oportunidades e desenvolvimento pleno das potencialidades de cada estudante.

Mais do que uma conquista individual marcada por foco e persistência, essa experiência demonstra como políticas institucionais bem implementadas transformam direitos em realidade e fortalecem o papel social da universidade pública.



ENTREVISTA – ALUNA DE ENFERMAGEM: Natália Araújo


  • Quando você decidiu cursar Enfermagem e o que motivou essa escolha?

Decidi cursar Enfermagem ao observar meus pais e perceber que, futuramente, eles poderiam precisar de cuidados. Quis ter uma formação que me capacitasse a cuidar deles, mas também de todas as pessoas que necessitassem de assistência. A escolha nasceu do desejo de cuidar, de estar preparada tecnicamente e emocionalmente para oferecer suporte a quem eu amo e à sociedade.

 

  • Você já ingressou na universidade com diagnóstico de baixa visão? Como se sentia naquele momento?

Sim. Nasci com catarata congênita e, ao ingressar na universidade, já possuía também o diagnóstico de glaucoma. Embora tenha estudado toda a vida em ensino regular, iniciar um curso que exige bastante da visão trouxe insegurança. Ainda assim, decidi tentar, acreditando na minha capacidade.

 

  • Quais foram seus maiores receios ao iniciar o curso?

Meu maior receio era não conseguir executar algumas atividades práticas que exigem maior acuidade visual. Sempre soube que limitações fariam parte da minha vida, não apenas na Enfermagem. No entanto, compreendi que, mesmo com limitações, eu poderia exercer a profissão dentro das minhas possibilidades.
Desafios na formação

 

  • Quais foram os principais desafios acadêmicos enfrentados?

A maior dificuldade esteve nas aulas práticas, especialmente na administração de medicamentos, devido aos rótulos com letras muito pequenas. Para conseguir realizar as atividades, aproximava os frascos dos olhos para leitura. Com apoio dos colegas e professores, consegui superar esses obstáculos.

 

  • Houve momentos em que pensou em desistir? O que a fortaleceu?

Houve momentos de insegurança, especialmente nas práticas. O que me fortaleceu foi o apoio constante de colegas e professores, que demonstraram paciência e respeito, além da minha própria convicção de que sou capaz.

 

  • Quais adaptações foram fundamentais para sua permanência e sucesso?

Desde o início, tive direito a adaptações como provas ampliadas, tempo adicional e, quando necessário, plano de ensino individualizado. A universidade possui núcleos responsáveis por garantir os direitos dos estudantes com deficiência, promovendo diálogo com os professores para adequação às necessidades específicas.

  • O que foi diferencial no apoio recebido?

O diferencial foi a atuação ativa do núcleo de acessibilidade, que apresentou minhas necessidades aos docentes, permitindo que eles adaptassem suas metodologias e garantissem minha inclusão acadêmica.

 

  • Como foi sua experiência nos campos de estágio?

A experiência variou. Em alguns locais, houve resistência e questionamentos sobre minha escolha profissional. Na maioria das situações, porém, fui bem acolhida, respeitada e incentivada.

 

  • Que estratégias desenvolveu para exercer as atividades com autonomia?

Adquiri um tablet que me permitia ampliar documentos e instrumentos utilizados no estágio. Os professores enviavam os slides antecipadamente, possibilitando que eu acompanhasse as aulas e realizasse anotações digitais. Essa estratégia facilitou tanto minha vivência em sala quanto nos campos práticos.

  • Sua experiência amplia sua sensibilidade no cuidado ao outro?

Sim. Minhas vivências me ensinaram que cada pessoa, com ou sem deficiência, necessita de cuidado, atenção e compreensão em algum momento da vida. As situações em que fui julgada fortaleceram minha empatia e ampliaram minha sensibilidade no cuidado.

 

  • Que mensagem deixaria para outros estudantes com deficiência?

Todos são capazes. Cada pessoa possui limitações e inseguranças, mas isso não define seu potencial. É possível conquistar objetivos com fé, dedicação e apoio adequado.

 

  • Como define essa conquista em uma frase?

Para Deus nada é impossível. Tudo é possível àquele que crer.